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TRUMP

Por Joo Ernesto Figueiredo

Publicado em 8 de fevereiro de 2018

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Assisti Donald Trump na apresentao Discurso do Estado da Unio. Deve ter falado para mais de 100 milhes de americanos.

Eu como a maioria do mundo no tem em Donald Trump seu modelo de estadista ideal, mas confesso que fiquei impressionado com a mise en scene e comecei a entender a escolha do povo americano.
O cenrio do evento era impressionante: umas duas mil pessoas.

A entrada em campo j foi um espetculo a parte: aquele burburinho de milhares de pessoas espera d impresso que uma campainha toca, silncio, e entra em campo um time enorme de cidados (maioria) e cidads bem nutridos, cara de bem sucedidos, sorridentes, bem vestidos, que tomam seus assentos. Destaque para dois, um de cabelo branco, outro de preto, que se sentam imediatamente atrs do palanque de Trump.

Estes ltimos sero os futuros regentes de uma orquestra na qual o solista ser Donald Trump.
Aps este time se assentar, um pouco de suspense e eis que adentra ao ginsio um armrio de dois metros de altura por um de largura, seguido por um squito de seguranas, sorridente, gesticulando para alguns escolhidos e caminhando para o tablado, desculpem, para o centro do palco, me confundi porque lembrou Cassius Clay (Muhammad Ali, hoje, aps o 11 de setembro, enfrentaria dificuldades) com aquele exuberante complexo de superioridade em relao aos simples mortais.

No consigo comparar Trump exatamente com ningum, mas ele tem um pouco de John Wayne, de Patton, de Mussolini e do prprio Cassius Clay.

Outra caracterstica de Trump: ele indubitavelmente do tipo sou, mas quem no . Tambm do tipo minha opinio essa, gostem ou no, mas no se esqueam de que quem tem o poder sou eu.

Durante a campanha eleitoral foi acusado de assdio sexual. Quando a Clinton o acuou, no a desmentiu, desviou o olhar com uma careta tipo deu moleza, eu avano, prefiro um tapa na cara que perder uma oportunidade. E o povo achou normal. Americano no puritano como se pensa, apenas no perdoa mentira. Nixon que o diga: pela simples alegao que no sabia o que todos achavam que sabia, teve que renunciar.

Foi acusado de quebrar duas vezes. Respondeu que a lei permitia isso.
No momento acusado de ser inimigo de imigrante: foi claro no encontro ora narrado: se o imigrante for trabalhador e competente, entra, inclusive mulher e filhos. Mas sogra, cunhado, sobrinho e amigo no.

Quando comea a falar, e o faz com maestria, Reinaldo Polito deve t-lo visitado, d a impresso de ter uma memria de nomes insupervel (superior de Maluf), nas menes socialmente simpticas sabe o apelido de infncia do tetrav do concunhado do homenageado.

Tem a competncia de dar uma no cravo, outra na ferradura: uma notcia ruim (pau na Sria, em Cuba, na Coria do Norte, no Mxico), sucedida por uma boa (vamos investir 1,5 trilhes de dlares em infra-estruturar, a inflao quase zero, o desemprego o menor em 40 anos, o PIB cresceu 3%).

Nos entremeios imagens daquela linda, elegante, classuda e simptica criatura que sua esposa (alm de tudo compreensiva).

Em momentos marquetologicamente calibrados, a cada 10 minutos, uma meno e homenagem a um bombeiro que arriscou a vida num grande incndio e salvou 40 velhinhas e 25 criancinhas (do qual sabe com detalhes aquele detalhe do tetrav).

Seu domnio com o teleprompter total, no tem sequer um olhar que denote estar se servindo de tal instrumento, nem a imagem do mesmo aparece. Altura, durao, ritmo, intensidade, dico e exatido de cada palavra (timao de assessores), impecveis. Como no olmpico, apenas o timbre um pouco metlico deixa algo a desejar.

Lembram-se daqueles dois importantes cidados antes citados, um de cabelo branco, outro de cabelo preto? A cada 5 minutos, aps as boas notcias ou a homenagem ao policial que levou 40 tiros, mas mesmo mancando e ensanguentado prendeu 25 facnoras, os dois se levantam e batem palmas, ao que a plateia de 2.000 faz o mesmo: todos se levantam e batem palmas exuberante e demoradamente (em p) at os dois sentarem.

D impresso que aqueles dois so os tios bilhardrios, vivos e sem filhos, de todos os presentes.
eles se levantarem e a claque (nada menos que senadores, deputados, ministros, juzes, etc.) fazer o mesmo.
Trump com aquele olhar superior, com sorrisos distribudos economicamente, aquele topete que nem Elvis tinha, dominou a arena. Falou o que o americano mdio queria ouvir e o que seus inimigos no queriam.

D para comear a entender porque foi eleito.

E o que isso tem a ver com engenharia? Nada, mas como nos metemos em tudo, engenharia financeira, mdica, jurdica, por exemplo, porque no palpitarmos sobre engenharia poltica?

CLIQUE AQUI E ASSISTA AO DISCURSO.

 

Joo Ernesto Figueiredo

Engenheiro Civil POLI/1965; pós-graduação (área de produção) na POLI/1970; ex-assessor do Presidente Ruy Leme no Banco Central/1968; na engenharia atuou na área de planejamento até 1971; dirigiu instituições financeiras até 1989; foi professor de Mercado de Capitais em cursos de especialização do Instituto Mauá de Tecnologia/80; escreveu livros; desde 1990 atua na área de consultoria financeira de empresas de Engenharia. Foi presidente do Conselho Consultivo do Instituto de Engenharia Outros artigos de Joo Ernesto Figueiredo




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