O que é e como funciona a arquitetura e engenharia estrutural de casas flutuantes

Certamente, depois de tudo que vivenciamos em 2020, parece ter ficado claro que o impacto do ser humano contra a natureza é mais grave do que pensávamos. Durante muitos anos convivemos com o meio ambiente de forma harmônica. Mas, infelizmente, sobretudo na contemporaneidade, as ações cometidas pelo homem agravaram problemas inclusive de ordem climática. Hoje convivemos com as enchentes e o aumento dos níveis dos oceanos. Muitas pessoas acreditam que devemos nos preparar para os piores cenários. E a arquitetura já saiu na frente, propondo soluções diferentes, como as das casas flutuantes!

O que são casas flutuantes?

Casas flutuantes são modelos totalmente atípicos de arquitetura e que pode ser comercial, residencial ou institucional. Seus padrões primam pela sustentabilidade. Geralmente, já na sua fase de construção, são utilizados materiais mais ecológicos, havendo o mínimo de desperdício de materiais e recursos. Estas casas também se valem de soluções especiais para o fornecimento de energia e de água potável, além da destinação do esgoto e de outros resíduos.

Agora, de tudo, a parte mais incrível dos projetos de casas flutuantes é a construção sobre a água, apresentando uma estrutura flexível, ou seja, que acompanha as mudanças de altura das marés. E nem precisaríamos dizer que a maior vantagem disso é justamente resistir a eventos climáticos extremos!

Mais razões para se ter uma casa flutuante

Diante de tantos problemas ambientais que passamos, e pensando principalmente nas pessoas que vivem em zonas afetadas por catástrofes naturais, é inevitável não lembrar das arquiteturas que são capazes de se adaptar a esta nova realidade. E as casas flutuantes combinam perfeitamente com esta ideia! Mas é óbvio que estes empreendimentos oferecem muito mais do que já citamos antes!

Casas flutuantes também devem oferecer mais autonomia e paz às pessoas. Por exemplo, uma residência com tal estrutura pode ser facilmente adaptada a uma nova paisagem. Sempre que o proprietário quiser, pode mudar de cenário, basta ancorar a sua casa em uma nova marina ou baía. É um modo de vida mais seguro e privativo!

Por que as estruturas de casas flutuantes não afundam?

Antes de esclarecer como são as estruturas das casas flutuantes, em termos de engenharia, devemos lembrar primeiro que tais construções não são nenhuma novidade. Em tempos antigos certas casas eram construídas sobre troncos de árvores e assim flutuavam. E não podemos nos esquecer da situação de Veneza. De certo modo, este conjunto urbano segue um conceito semelhante, com uma estrutura elevada sobre a água – só que com diferencial de ter uma fundação ligada diretamente ao solo.

No Brasil

Aqui, no Brasil, temos também exemplos de casas flutuantes. Especialmente dentro da região amazônica – onde está localizada a maior bacia hidrográfica do mundo. Lá, diversas construções flutuantes servem não apenas de moradia, mas de escolas, consultórios médicos e mais serviços itinerantes. Neste caso, as casas construídas sobre palafitas ou grandes tonéis presos sob plataformas quase sempre abrigam pessoas de faixas sociais mais baixas, ou seja, pessoas em situação de vulnerabilidade ambiental.

No mundo

Ao redor do mundo, existem muitos outros exemplos de projetos de casas flutuantes. Especialmente no oriente, várias arquiteturas como esta já foram construídas com estruturas de madeira ou bambu. Em outras localidades também vemos casas flutuantes com estruturas feitas de container e peças pré-fabricadas, até mesmo de concreto. Algumas delas são colocadas sobre catamarãs – com capacidade máxima limitada ao que a embarcação pode suportar. E apesar desse sofisticado sistema poder se movimentar sobre a água, não deve ser comparado a um iate com casa, por exemplo – ambas as coisas são diferentes.

Mesmo com tanta explicação, algumas pessoas podem ficar confusas sobre como as casas flutuantes flutuam. Para resumir, é como colocar uma tigela sobre a água. Todavia é sempre importante prever a distribuição de pesos e estudar como essas cargas irão agir sobre a estrutura.

Quem prefere uma coisa mais fixa, ainda sim flutuante, pode optar pela arquitetura anfíbia. Neste caso, a casa é presa em um poste de amarração flexível e assentada sobre fundações de concreto submerso. E quando o nível da água do rio ou lago onde ela estiver subir, toda a casa irá se mover para cima e flutuar. Lembrando que ainda será preciso fazer uma estrutura fixa na margem para colocar as centrais dos sistemas de elétrica, hidráulica, e mais.

Fonte: Engenharia 360