Engenheira queniana encontra solução para transformar resíduos em tijolos plásticos altamente resistentes

Engenheira Nzambi Matee – Imagem reproduzida de Earthshot Prize

A fabricação de objetos e embalagens feitas de plástico cresceu de forma assustadora nos últimos tempos. Com isso, os resíduos de plástico se tornaram um dos maiores inimigos da natureza, contaminando o solo e as águas. Toneladas desse material são encontradas em lagos, rios e oceanos. Ao mesmo tempo, pesquisadores e governos do mundo inteiro vêm procurando soluções para reutilização desses resíduos e, principalmente, redução dos impactos ambientais causados pelo seu descarte inadequado.

Os tijolos plásticos de Nzambi Matee

A engenheira queniana Nzambi Matee resolveu dar a sua contribuição para a resolução do problema dos resíduos plásticos que estavam poluindo a cidade onde vivia, Nairóbi, capital do Quênia. E foi durante o período em que trabalhou na indústria de petróleo do Quênia que ela teve inspiração para realizar um projeto de sustentabilidade.

Matee começou a testar diferentes materiais de pavimentação feitos de plástico e areia no quintal da casa da sua própria mãe. Todo o material utilizado na pesquisa era doado por fábricas de embalagens ou comprado de recicladores locais.

Durante a experimentação, a empresária percebeu quais plásticos funcionam melhor juntos e desenvolveu uma máquina para a produção em massa dos blocos. A engenheira chegou a investir todas as suas economias neste projeto, com o qual recebeu uma bolsa para integrar um programa de empreendedorismo social nos Estados Unidos.

Foi nos laboratórios da University of Colorado Boulder – universidade pública estadunidense situada em Boulder, no estado do Colorado – que ela aprimorou a técnica de seus produtos e onde desenvolveu o projeto dos maquinários para produzir os tijolos plásticos. Seus esforços a levaram até o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente ou PNUMA, que, em 2020, a nomeou como uma “Jovem Campeã da Terra”.

A saber, o PNUMA foi fundado em 1972, e visa promover o desenvolvimento sustentável por meio de iniciativas ambientais em todo o mundo.

O trabalho da startup Gjenge Makers

A empresa startup Gjenge Makers, fundada pela (agora) empresária Nzambi Matee, criou uma máquina capaz de transformar resíduos de plástico em tijolos plásticos mais resistentes do que concreto. O maquinário, utilizado pela empresa, permite que cerca de 1.500 peças sejam produzidas em um único dia.

Os tijolos plásticos mais fortes do que concreto

Os tijolos plásticos fabricados pela Gjenge Makers conseguem suportar o dobro do peso limite de blocos de concreto – de 5% a 7% mais. O produto se destaca pelo custo acessível, comparado aos tijolos tradicionais, além da qualidade e praticidade. Pode apresentar diversas espessuras, cores e formatos. E é vendido por cerca de US$ 7,7 o metro quadrado.

Os tijolos plásticos da Gjenge Makers levam, na fabricação, resíduos provenientes de empresas que iriam descartar plástico de polietileno de baixa e alta densidade. Depois de aquecido em fornos de altas temperaturas, o material (polímero) é misturado com areia. E essa mistura é, então, moldada em uma máquina hidráulica, produzindo uma variedade de tijolos usados para pavimentação.
Até agora, Gjenge Makers já transformou mais de 20 toneladas de resíduos plásticos em tijolos plásticos, e criou dezenas de postos de trabalho para catadores de lixo no Quênia. O seu objetivo é triplicar a produção ainda em 2021 e oferecer esta solução para outros países do continente africano.