Primeiro túnel de vento climático do Hemisfério Sul

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Um túnel de vento climático (TVC), o primeiro do Hemisfério Sul, foi inaugurado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).

A instalação será capaz de testar componentes aeronáuticos em condições climáticas extremas de voo.

O objetivo é testar equipamentos como, por exemplo, tubos de Pitot utilizados como sensores de velocidade dos aviões.

Túnel de Vento

O túnel de vento tem capacidade para simular as condições climáticas de voo, com temperaturas de até 20 graus negativos e velocidade Mach 0,3, que corresponde a 1/3 da velocidade do som.

O equipamento permite testar o comportamento e a vulnerabilidade de componentes usados em aeronaves diante da formação de gelo.

A estrutura total tem 9 metros de comprimento por 4 metros de altura. A seção de testes tem 30 X 30 centímetros e 2 metros de comprimento.

“Não há túneis assim no mercado. Eles são projetados de acordo com as necessidades de uso e dimensões dos laboratórios. Nele vamos testar sensores e componentes aeronáuticos sob situações climáticas extremas e formação de gelo. Não tínhamos instalações assim no Hemisfério Sul. Ele vai atender tanto a pesquisa, para melhorar os sensores aeronáuticos ou até desenvolver novos sensores, como também a indústria, na certificação dos seus produtos”, afirmou o professor Renato Machado Cotta.

A Embraer, por exemplo, até agora recorria a laboratórios da Europa e Estados Unidos para avaliar os sensores de velocidade Pitot que equipam as aeronaves que constrói.

Um décimo do orçamento

O novo túnel de vento, que foi projetado e construído por pesquisadores da própria Coppe, custou cerca de R$ 350 mil, pagos pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (FAPERJ).

Inicialmente, o projeto chegou a ser orçado em R$ 3 milhões, mas, graças a todo o trabalho ter sido feito na Coppe, utilizando equipamentos e laboratórios próprios, foi possível reduzir os custos a pouco mais de um décimo do previsto.

A Coppe intensificou suas pesquisas em segurança aérea após o acidente com o voo AF447 da Air France, que fazia a rota Rio-Paris, em 2009, no qual morreram 228 pessoas.

Mais do que um desafio profissional, a conclusão do túnel teve uma motivação pessoal para o professor Renato Cotta, que perdeu sua filha e seu genro neste acidente.

“No caso específico da Air France foi um acidente fatal. Mas já foram reportados diversos incidentes que tiverem seu início com o congelamento das sondas Pitot, então realmente existe uma necessidade de se colocar mais ciência e mais tecnologia no desenvolvimento de sondas mais confiáveis para essas situações mais adversas”, explicou Cotta.

Autor: Coppe/UFRJ

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